sexta-feira, 16 de setembro de 2011

EU X TÉCNICO EM INFORMÁTICA

Eu estava com um problema em meu computador de mesa. Ele iniciava e, poucos minutos após, desligava por conta própria. Perdia tudo o que estivesse fazendo. Levei ao técnico, um amigo indicou. O cara me recebeu bem, exibiu seu conhecimento, levantou prováveis hipóteses diagnósticas, descartou minha sugestão de que seria o caso de uma formatação, e disse pra que eu deixasse a máquina para um orçamento. Orçamentou (do verbo orçamentar), pediu o equivalente a 5/6 do que seria uma formatação. Aceitei. Trocou a fonte. Deu-me a fonte quebrada como um fígado carcomido por cirrose. Disse que testou a máquina e que eu poderia levar. Levei. Uma hora depois, tempo que provavelmente superou o teste fail, o problema voltou com a mesma eficiência do costume. Tudo desligado.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

BRUCE WILLIS

Corri cinco quilômetros em trinta e dois minutos e sete segundos... Aqui em Ituverava SP é quase sempre quente. O fim de tarde estava morno, gostoso. Correndo, não vi nada de mais. Apenas pessoas, uma garça, o Bruce Willis... Sim, o Bruce. É que logo ao chegar à avenida na qual corro, dei de frente com uma imensa placa de publicidade, daquelas que chamam de outdoor, estampada com a cara e careca do Bruce Willis fazendo propaganda para aquela grande escola de inglês que promete que você poderá ser salvo até de uma eventual queda aérea caso faça o curso que ela oferece.

Aqui é pequeno, mas temos de tudo. Acredite. Um sujeito mais amargurado, em meu lugar, diria viver numa aldeia a nordeste do Estado de São Paulo, quase na divisa com Minas Gerais. Eu não diria isso. Vivo em uma pequena cidade como tantas que há espalhadas pelo país. E como toda aldeia, digo, cidade, aqui tem o ar interiorano misturado aos ventos velozes da globalização – acabo de oferecer um alto conceito de globalização, como podem notar. Temos internet, temos televisão, temos aparelhos eletrônicos, temos um belo quadro social, produtos industrializados, pequenas indústrias, lavouras, pessoas, pessoas, pessoas, e o Bruce.



[Gorillaz – El Mañana]

sábado, 25 de junho de 2011

[TIMELINE 101] - 25.06.11 [14:14]

Distante do agitado mercadão, num estúdio da MTV, um encontro entre pares dispares ocorria sem que nenhuma lente captasse. Quando Luiz viu pela primeira vez os tais vídeos do jovem rapaz, Paulo Camargo, o PC, ele pensou: _Que isso? E ao nível do subconsciente conjecturou sem que seu nível consciente tomasse conhecimento: “Eu devo ter usado um preservativo corroído por baratas nefastas habitantes dos fundos das gavetas e das malas!” Paulo Camargo era praticamente a imagem de Luiz ainda praticamente imberbe, se não fosse o estrabismo destro convergente presente e o prognatismo marcante ausente, seria propriamente o próprio, ‘se é que me entende’. Ali na MTV, frente a frente, ambos eram praticamente a mesma pessoa, só que em tempos diferentes, como gêmeos em uma grotesca novela da grande emissora. Luiz viu reforçar-se sua primeira impressão youtobesca e teve os olhos marejados diante do rapaz tímido e assustado feito um servo afoito caçado pela espingarda do passado. Abriu os braços apresentando o que seria um longo e terno abraço que transformaria para sempre a vida de ambos aos domingos pela manhã no bosque dando pipocas aos macacos, ou aos sábados à noite jogando videogame madrugada a fora.


RT @JefhC74: @LuizThunderbird, o @pecesiqueira disse no twitter que vocês vieram do mesmo planeta Vc não é pai legítimo do cara, é? // SOU.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

[TIMELINE 101] - 02.06.11 [01:01]

Rente ao tumulto do Mercadão, ela passava. Apressada, queria chegar logo em casa, queria tirar aquela calça apertada e, antes mesmo de tirar a calça, queria twittar e contar que em frente ao Mercadão havia barraco, que na esquina do colégio um menino caiu de bicicleta, que o Inter iria jogar e, independente do resultado, ela o amava. Queria contar que conhecera um cara, beijara um cara, e que achava que estava namorando. Ficou com o blusão do cara, conversou com o cara na padaria. Ela namoraria? Queria, queria, queria que o cara a fizesse sua namorada. Queria por demais ser namorada de um cara bonito, um cara que jogasse bola, um cara comum; um cara que ligasse pra ela a toda hora e ficasse no celular, no msn a ela ligado, conectado. Ela queria contar que o pai era um grande herói que por sorte ela herdara da vida. Queria contar que a mãe e ela tinham um caso de amor pra lá de complicado, que eram gênios idênticos, e por isso não se bicavam. Ela não tinha tempo para tirar boas notas, ela esquecia-se de comer e precisava ser lembrada. Ela tratava de qualquer assunto numa simples twittada, ela tinha uma égua, ela montava. Ela twittava, twittava, twittava...u.u Ela twittava u.u *O* @DanelizeGomes: "Vocês sabiam que existe um mundo lá fora chamado 'real' onde o twitter não é importante? Pensem nisso. ;)"

terça-feira, 31 de maio de 2011

[TIMELINE 101] – 31.05.11 [21:09]

À porta do Mercado Municipal, uma grande confusão se formara. Veio gente de toda parte ver o Seu Javarine todo enrascado. Seu Javarine, velho de guerra, cabra forte aos mais de setenta, diz dar trabalho quando rapariga é o caso. Desentendera-se com uma profissional liberal. A moça dizia que teria prestado serviços pessoais bem ali, de trás do Mercadão, e que o homem não queria pagar devidamente sua prestação. Seu Javarine se defendia afirmando que o serviço não fora de boa qualidade e que pagaria no máximo ‘cinco conto’, e ainda assim por caridade. Seu Javarine, cabra porreta, do tipo que desaforo não leva nem aceita, disse que resolveria a questão no tapa, na faca e até diante do delegado, mas que mais de ‘cinco conto’ não pagava, pois seu dinheiro estava contado para o feijão e a farinha de puba. A profissional liberal, revoltada, chamou a polícia e junto veio a gente da televisão, e o circo fora montado. @SeuJavarine: “si tive farinha cum feijão eu topu tudo fiu”

segunda-feira, 30 de maio de 2011

[TIMELINE 101] - 30.05.11 [18:51]

Bem, aqui estou [18h15min]. Já trabalhei uma jornada completa e agora vim correndo para o twitter. Sim, estou viciado nisso. Confesso. Foi neste último final de semana que descobri o vício. Aconteceu que fiquei sem ter acesso a minha timeline e por isso entrei em crise de abstinência; foi algo terrível. Essa situação extrema durou sexta, sábado e parte do domingo. Até então, eu jamais havia imaginado que minhas constantes visitas ao twitter para ler a timeline, e vez ou outra escrever algo, era na verdade um sinal do mal. No ápice da crise, acabei criando outra conta, num ato de desespero. Tive a idéia de dizer que era para uma novela aquele perfil; fiz isso para atrair followers. Só fiquei mais calmo quando comecei a twittar com estranhos e acabei conseguindo 05 seguidores ali mesmo, na hora; foi algo confortante. Mesmo após reaver minha conta e descobrir que estou viciado no twitter, achei a idéia da novela de timeline uma coisa legal. Continuarei com a novela. E isto que você acabou de ler foi mais um capítulo.

domingo, 29 de maio de 2011

[TIMELINE 101] - 29.05.11 [13:31]

No mercado municipal, numa fresca manhã de outono onde o vento era capaz de romper e permear por entre frestas de velhas edificações e cordões humanos, pessoas se deslocavam em diversas direções daquela velha construção. O som que Caroline ouviu à distância era o de um velho e desgastado piano, emitindo melancolicamente Nothing Else Matters, Metallica. Bem ali, entre o açougue e uma quitanda, entre os gritos de um vendedor e outro, entre pessoas e pessoas, era a canção que ecoava nas asas do vento. Caroline sentiu a música, mas mais do que isso, sentiu a arte do artista que expressava toda a sua consternação em troca de algum cachê magro, de alguma atenção furtiva, de um pouco de paz interior, quem sabe. Caroline precisava dividir aquilo. Mal podia esperar chegar a sua casa para correr ao computador e expressar para seus 811 followers aquela forte impressão que o pianista do Mercadão lhe causou. @carolinepassos: “Agora, colocar um pianista entre o açougue e os hortifrutis não foi a melhor das idéias, não.”